Auxiliar de enfermagem morre com coronavírus e filha desabafa: 'amava o que fazia'

Hospital afirma que perdeu a primeira combatente na guerra contra a doença.

Filha diz que mãe lutou muito pela vida de centenas de pacientes em Guarujá, no litoral paulista.

Paula Regina Miranda morreu aos 45 anos, após atuar no combate ao novo coronavírus em Guarujá, no litoral paulista Reprodução/Facebook Uma auxiliar de enfermagem que atuava na linha de frente do combate à Covid-19 em um hospital de Guarujá, no litoral de São Paulo, morreu, aos 45 anos, após ser infectada pelo vírus.

Em entrevista ao G1 neste sábado (23), a filha de Paula Regina Miranda relatou que a mãe tinha muito amor pela profissão, e que se dedicou ao trabalho ainda mais durante a pandemia. Segundo informado pelo Hospital Santo Amaro, local em que Paula trabalhava desde julho de 2014, ela ficou um mês internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Casa de Saúde de Santos, onde veio a óbito na quinta-feira (21). A filha Stephanie Miranda Pereira Galvão, de 20 anos, trabalha na mesma área que a mãe.

Ela afirma que Paula mantinha contato com pacientes que tinham sintomas da Covid-19 e até mesmo com quem testava positivo para o novo coronavírus. Segundo ela, a auxiliar de enfermagem sempre tomou cuidado e permanecia em casa quando não estava trabalhando, cumprindo o isolamento domiciliar.

"Era uma mulher guerreira, batalhadora, esforçada, que sempre deu seu melhor em tudo que fazia.

Era a melhor mãe do mundo.

Sempre se dedicou muito à profissão, era muito correta em tudo que fazia e cuidava dos pacientes com muito amor.

Tanto que, quando começaram os sintomas, que foram dor de cabeça e dor nas costas, ela nem imaginava que era coronavírus, então, continuou trabalhando, dizia que a equipe precisava dela.

Ela realmente amava o que fazia". Filha exerce a mesma profissão da mãe e conta que Paula sempre se esforçou muito no trabalho Arquivo Pessoal/Stephanie Miranda A auxiliar de enfermagem, conforme conta a filha, começou a sentir dores de cabeça e dores nas costas.

Depois de um tempo, veio a falta de paladar e, por último, a falta de ar.

"Foi uma situação tão difícil que não sei nem explicar.

Tive que ser muito forte, por ser da profissão e saber como eram feitos os procedimentos.

Além disso, me manter forte para exercer meu trabalho e cuidar daqueles que estavam precisando de mim .

Só queria poder ter tido a oportunidade de cuidar dela", diz Stephanie. "Sou filha única, então, o mais difícil está sendo a falta dela.

Não sei como será minha vida daqui para frente.

E o sofrimento ainda é maior quando passo pelas pelas ruas e vejo as pessoas agindo como se nada estivesse acontecendo, como se a doença não existisse ou não importasse.

Como se todo o nosso trabalho e essas vidas que se perderam não fossem importantes.

É preciso se prevenir, se cuidar, essa doença não é brincadeira.

Não esperem acontecer com um familiar para começar a agir.

Juntos somos mais fortes.

Temos que pensar no próximo.

A enfermagem agradece", destaca a jovem. Nas redes sociais, a unidade hospitalar onde Paula trabalhava prestou uma homenagem à funcionária na sexta-feira (22), agradecendo por todo o seu tempo de trabalho, principalmente pela atuação na luta contra o coronavírus.

A instituição ainda lamentou o ocorrido e afirmou que a profissional foi um grande exemplo para a equipe com a qual atuava. Confira a nota do Hospital Santo Amaro na íntegra: Tomba nossa primeira combatente na guerra contra o coronavírus.

É com imenso pesar que anunciamos o falecimento de Paula Regina Miranda, colaboradora do Serviço de Enfermagem do Hospital Santo Amaro, Guarujá. Excelente profissional, Paula Regina tombou no combate ao coronavírus, deixando o exemplo de garra, dedicação e amor ao próximo e ao HSA.

Obrigado Paula Regina, sua luta pela vida servirá de exemplo para todos nós que, em luto, seguiremos nessa batalha contra esse terrível inimigo. Hospital Santo Amaro publicou homenagem à auxiliar de enfermagem que morreu com coronavírus Reprodução/Facebook
Categoria:SP - Santos e Região